"Enquanto uns fazem filme para si mesmos usando dinheiro público, existem aqueles que fazem cinema para o público usando dinheiro próprio". A frase é do produtor norte-americano Marc Bechar, e se refere ao diretor Roberto Santucci e seu filme "Alucinados", vencedor do prêmio de melhor filme pelo Juri Popular no 1º Festival de Paulínia, que aconteceu na cidade de mesmo nome na segunda semana de julho.
Muitos críticos e “entendidos”do cinema buscam explicações para as baixas bilheterias dos filmes nacionais. Representantes de grandes distribuidoras, tais como Rodrigo Saturnino da Columbia, atribuem a ausência de público a uma crença que vigora no mercado nacional: a de que fazer cinema reflexivo ou autoral é mais nobre do que fazer o chamado “cinema comercial”, voltado para o público.
Um exemplo claro dessa dicotomia acaba de se concretizar no resultado do Festival de Paulínia. O prêmio de melhor filme eleito pelo Juri Oficial foi para “Encarnação do Demônio” de José Mojica Marins, mas o vencedor pelo Juri Popular não recebeu nenhuma atenção por parte da imprensa especializada. Enquanto o primeiro lotou a sala de exibição com mais de mil lugares, o segundo contou apenas com um público de mais de 300 pessoas, isso porque foi exibido numa segunda-feira. No entanto, conseguiu obter um maior número de votos do público, o que é de impressionar dada a proporção.
O filme participou do Festival como "filme em contrução". A explicação é que "Alucinados" não foi finalizado. Na verdade, o filme foi todo feito com recursos próprios e encontra-se em estágio de captação de recursos para ser finalizado e honrar compromissos com integrantes da equipe, que acreditaram no filme.
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