"Enquanto uns fazem filme para si mesmos usando dinheiro público, existem aqueles que fazem cinema para o público usando dinheiro próprio". A frase é do produtor norte-americano Marc Bechar, e se refere ao diretor Roberto Santucci e seu filme "Alucinados", vencedor do prêmio de melhor filme pelo Juri Popular no 1º Festival de Paulínia, que aconteceu na cidade de mesmo nome na segunda semana de julho.
Muitos críticos e “entendidos”do cinema buscam explicações para as baixas bilheterias dos filmes nacionais. Representantes de grandes distribuidoras, tais como Rodrigo Saturnino da Columbia, atribuem a ausência de público a uma crença que vigora no mercado nacional: a de que fazer cinema reflexivo ou autoral é mais nobre do que fazer o chamado “cinema comercial”, voltado para o público.
Um exemplo claro dessa dicotomia acaba de se concretizar no resultado do Festival de Paulínia. O prêmio de melhor filme eleito pelo Juri Oficial foi para “Encarnação do Demônio” de José Mojica Marins, mas o vencedor pelo Juri Popular não recebeu nenhuma atenção por parte da imprensa especializada. Enquanto o primeiro lotou a sala de exibição com mais de mil lugares, o segundo contou apenas com um público de mais de 300 pessoas, isso porque foi exibido numa segunda-feira. No entanto, conseguiu obter um maior número de votos do público, o que é de impressionar dada a proporção.
O filme participou do Festival como "filme em contrução". A explicação é que "Alucinados" não foi finalizado. Na verdade, o filme foi todo feito com recursos próprios e encontra-se em estágio de captação de recursos para ser finalizado e honrar compromissos com integrantes da equipe, que acreditaram no filme.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
quinta-feira, 17 de julho de 2008
"Alucinados"debate temática atual
Todos os dias, os principais jornais dedicam ao menos uma página para notícias relacionadas a violência nos grandes centros urbanos. Os mais populares imprimem nas capas feitos de bandidos ou policiais. A tensão latente entre o “morro” e o “asfalto”, descrita por sociólogos como a versão atual da relação que se estabelecia entre a Casa Grande e a Senzala descrita por Gilberto Freyre, aparece no filme “Alucinados” de forma contundente.
A insegurança das classes mais abastadas é pano de fundo para a história de Casé, rapaz que entrou no mundo das drogas, e foi internado numa clínica de tratamento, mas acabou saindo sem cura. Nesse apecto, “Alucinados” dialoga com o filme “Meu nome não é Jonny”, mostrando o lado do jovem que não tem uma estrutura familiar capaz de ajudar nesta recuperação, e depende exclusivamente da instituição pública. O filme fala também da implacável ditadura do tráfico de drogas, da dificil relação entre policiais e moradores de favelas, e da iniciação ao mundo das drogas.
O filme foi rodado em HDCam, com recursos próprios do produtor e também diretor Roberto Santucci, que está buscando captar recursos para viabilizar a finalização e consequentemente lançá-lo nas salas de cinema. Mesmo sem estar finalizado, o filme concorreu como projeto em desenvolvimento nos Festivais de Cinema Brasileiro de Los Angeles e Madri, e ganhou o prêmio de Melhor Filme.
O filme foi rodado em HDCam, com recursos próprios do produtor e também diretor Roberto Santucci, que está buscando captar recursos para viabilizar a finalização e consequentemente lançá-lo nas salas de cinema. Mesmo sem estar finalizado, o filme concorreu como projeto em desenvolvimento nos Festivais de Cinema Brasileiro de Los Angeles e Madri, e ganhou o prêmio de Melhor Filme.
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